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domingo, 19 de dezembro de 2010

Sinal de Alerta

Final de temporada é tempo para um balanço geral da situação, nem tão boa, do futebol no Brasil

2010 definitivamente não foi um bom ano para o futebol brasileiro. No começo do ano, todas as expectativas e holofotes eram pra Copa, por mais que faltasse um jogador ali, sobrasse outro aqui, ou melhor, escalações a parte, as expectativas sempre aparecem em ano de Copa, mas ta aí, nem parece que esse ano teve Copa não é não?

Seja pelos erros de arbitragem que marcaram o Mundial da África do Sul e trouxeram à tona os debates de aliar futebol e tecnologia ou ainda pelo título já esperado da seleção espanhola e principalmente pela atuação pífia da seleção de Dunga, que caiu nas quartas de final, de virada numa partida contra a Laranja Mecânica, parece que esta Copa passou sem vermos.



Brasil de Kaká foi eliminado ainda nas quartas-de-finais

E não foi só a Copa, o Brasileirão deixou a desejar, por mais que o campeão tenha se consagrado nas últimas rodadas dando uma emoção a mais, faltaram craques brasileiros e sobraram gringos. Prova disso é que o craque do brasileirão deste ano foi Dario Conca, meia argentino do Fluminense. Por falar em meia, ta aí uma posição que preocupa.

Pra começar o bafafá em relação ao Kaká, que não teríamos substitutos a altura pra essa posição, e que bem faltou. Depois passamos para o estágio Ganso e a esperança voltou, mas durou pouco com a lesão do meia santista. Os melhores meias do brasileirão ficou entre Conca, D’Alessandro e Montillo – todos argentinos.

O argentino Conca foi o craque do Brasileirão 2010

Como se não fosse suficiente os hermanos se destacando por aqui, o melhor jogador do Mundo é argentino: Lionel Messi - que concorre pelo bi ao lado de seus companheiros de Barcelona, Iniesta e Xavi. Nenhum brasileiro entrou na fase final da disputa. Aliás, este ano foi a primeira vez que o número de jogadores argentinos negociados com o exterior superou o de brasileiros na história.

Se não bastasse o fracasso na Copa e o Campeonato Brasileiro nem tão brasileiro assim, o despacho antes da hora do Internacional no Mundial de Clubes foi a cereja do bolo de 2010. A derrota para a zebra africana, o Mazembe, fez o Colorado ser o primeiro time sul-americano a não chegar à final da competição. Acho que foi geral o sentimento ao assistir a final de “como o Inter perdeu pra um time desses?”, afinal era o País do Futebol sendo representado pelo time gaúcho ali.


Eliminação do Internacional no Mundial de Clubes foi a cereja do bolo de 2010

Estaria o futebol brasileiro em crise? Não sei dizer, mas é fato que os times brasileiros se preocupam muito mais com títulos do que a formação de bons jogadores desde as categorias de base. Mas e para você quais as expectativas para o futebol brasileiro em 2011? Não deixe de comentar.

Rafaela Righetti.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Uma pitada de paixão nacional

Que o futebol move o Brasil todo mundo está cansado de saber. Boa parte dos brasileiros organiza seus finais de semana e seus momentos de lazer a partir do jogo do seu time do coração. Alegria e tristeza, fanatismo e rivalidade são conceitos que assimilamos com facilidade ao esporte, mas e a ética? Muitos de nós não enxergamos que a ética que temos enquanto torcedores é a mesma que temos enquanto civis.



A reta final do Campeonato Brasileiro deste ano contou com um componente a mais: a falta de ética dos dirigentes, dos jogadores e principalmente dos torcedores. Um exemplo por parte dos dirigentes foi a diretoria do Internacional que declarou durante a semana passada que apelaria para punições legislativas caso o rival Grêmio entregasse o jogo para o Flamengo. Sim, o mesmo Internacional que em 2007 não hesitou em conceder a vitória ao Goiás, resultado que rebaixaria o Corinthians a segunda divisão.

O Corinthians, por sua vez, não tem a ficha limpa nessa história. Na penúltima rodada do Brasileirão os jogadores do Timão não fizeram nenhuma questão de demonstrar que estavam em campo contra o Flamengo. O goleiro Felipe nem tentou pegar um pênalti a favor da equipe carioca, alegando ser um protesto contra a arbitragem. Sendo que a melhor forma de responder a arbitragem seria pegar o pênalti e conseqüentemente honrar a camisa que defende.

Honrar a camisa que veste parece ser um desafio diante dos salários milionários pagos aos jogadores de hoje. Ou vai dizer que os brasileiros que estão jogando nos Emirados Árabes, por exemplo, estão lá por amor a camisa? A mesma coisa acontece na vida profissional de diversas áreas. Muitos não escolhem mais uma empresa pela sua filosofia e credibilidade, mas sim pela melhor oferta de salário.

Não venho através deste desmerecer o título do Flamengo, um titulo não é ganho em duas rodadas. A campanha ao longo do campeonato, principalmente no returno, o consagrou campeão. Mas o que tira o brilho dessa conquista é a postura dos torcedores de consagrados times como o Grêmio, que fizeram campanhas para que os jogadores fizessem “corpo mole” e entregasse o jogo. Tudo para o Inter não ter chance de ser campeão. A rivalidade entre os times não pode ser maior que a vontade do torcedor de ver seu time ganhar.

O pior de tudo isso é saber que muitos dos fanáticos por futebol consideram tudo isso perfeitamente normal e se espantam com a falta de ética em seus trabalhos, em seu rol de amizades, em suas rotinas. O triste é saber que o torcedor não percebe que o futebol é o espelho do Brasil. Dito isso, não é de se surpreender que o país do futebol, seja também o país da corrupção.
Rafaela Righetti
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